A política é feita de alianças, acordos e parcerias que, muitas vezes, se constroem com base em confiança, objetivos comuns e, acima de tudo, na expectativa de representar bem o povo. Mas quando laços que pareciam firmes se rompem, a população tem o direito de entender o que realmente está por trás de cada decisão. E em Santo Antônio de Jesus, uma história que começou como união se transformou em disputa.
Tudo começou com uma parceria que parecia sólida. O então deputado estadual Alan Sanches e o empresário Ditinho caminhavam juntos: Alan como pré-candidato a deputado federal e Ditinho como pré-candidato a deputado estadual, com o apoio total de Alan Sanches que era, inclusive, seu padrinho político, quem abriu caminho e orientou toda a sua trajetória. Duda Sanches, vereador de Salvador, atuava como cabo eleitoral direto de Ditinho na capital, selando o que parecia ser uma aliança inquebrável entre a família Sanches e o empresário.
Mas o destino reescreveu a história. No mês de janeiro, o deputado estadual Alan Sanches faleceu vítima de um infarto fulminante, deixando um legado, uma lacuna e, também, uma pergunta que ecoou entre os moradores de Santo Antônio de Jesus: como dar continuidade ao projeto que vinha sendo construído? A família Sanches , aliados e apoiadores politicos definiram que Duda Sanches assumiria a candidatura a deputado federal, dando seguimento ao legado do pai, enquanto o irmão Dr.Leonardo Sanches, médico cardiologista, continuaria à frente das ações e projetos de saúde que atendem a população baiana há mais de 20 anos. A expectativa natural era que a parceria se mantivesse que Ditinho seguisse na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa, mantendo a dobradinha e o apoio ao filho de quem foi seu padrinho e guia política.
O que aconteceu, porém, foi diferente. Sem esperar sequer que o seu padrinho político a quem ele mesmo chamava publicamente de irmão fosse sepultado, Ditinho decidiu tomar um caminho diverso. Sem experiência prévia em mandato político, ele optou por disputar a mesma vaga na Câmara dos Deputados em Brasília que seria ocupada por Duda Sanches, transformando-se, de aliado da família Sanches, em adversário direto e declarado. Aquele que havia percorrido o caminho aberto por Alan Sanches resolveu, agora, seguir sozinho e contra quem herdou o legado do seu próprio guia.
Foi neste momento que as máscaras caíram. A aliança que parecia ser construída por princípios e compromisso com a comunidade se mostrou frágil diante de interesses outros. A disputa que se seguiu revelou que, por trás de toda a união declarada, existiam também ambições pessoais que, quando postas à prova, fizeram com que a parceria se desfizesse e o que antes era apoio mútuo se transformou em disputa voto a voto.
De um lado, Duda Sanches, que carrega o nome e a história de uma família que há anos luta por Santo Antônio de Jesus e por toda a Bahia. Do outro, Ditinho, um dos maiores empresários da região, que acreditava que seu porte financeiro seria suficiente para garantir-lhe a preferência do eleitorado. Uma disputa desigual em recursos, mas que se mostra muito mais equilibrada quando se fala em história, em raízes e em vínculo com o povo.
O que fica claro para a população de Santo Antônio de Jesus é que a política não se faz apenas de dinheiro, de estrutura ou de poder. A política se faz de confiança, de lealdade e de compromisso verdadeiro com quem te elege. E quando uma união se desfaz por interesses que não passam pelo bem comum, é o povo quem perde porque é o povo quem merece representantes que estejam ao seu lado não só nas campanhas, mas principalmente nas horas difíceis.
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