Itapuãzeiros levam a alma e a tradição de Itapuã para o Largo Tereza Batista no Pelourinho

SALVADOR — O Centro Histórico de Salvador foi palco de um encontro de raízes e tradições neste domingo (13). O grupo Itapuãzeiros, formado por moradores e artistas do bairro de Itapuã, subiu ao palco do Largo Tereza Batista, no Pelourinho, para apresentar um espetáculo que levou consigo a cultura, a identidade e a herança de um dos bairros mais simbólicos da capital baiana — um legado que nasceu da visão e do amor de quem fez de Itapuã a sua vida.

Quem é a Banda os Itapuãzeiros?

A banda os Itapuãzeiros foi criada pelo renomado percussionista Mestre Alfredo, uma das referências culturais do bairro, que carrega em sua caminhada um bordão que se tornou marca e grito de todos os moradores: “E por que não um Itapuãzeiro?”. A frase, de autoria própria do mestre, hoje está na boca do povo, ecoa nas ruas, nas praças e em cada canto do bairro e agora ganha vida e voz através do grupo que ele idealizou.

Mestre Alfredo não apenas deu origem à banda: ele plantou a semente de um sentimento. O grupo é muito mais do que um conjunto musical é a concretização daquela pergunta que virou afirmação: por que não ser Itapuãzeiro? Por que não vestir a sua terra, honrar as suas raízes e levar o nome do seu bairro com orgulho para todos os lugares? São moradores que se reconhecem naquela identidade, que abraçam o chamado do mestre e tomaram para si a missão de preservar, valorizar e difundir as suas próprias tradições.

Itapuã, cantada por Caymmi e Vinicius de Moraes, guarda em suas ruas, praias e tradições uma riqueza cultural única do Bando Anunciador às Ganhadeiras de Itapuã, da pesca artesanal às manifestações religiosas de matriz africana. Os Itapuãzeiros, sob a inspiração de Mestre Alfredo, carregam essa herança no sangue e a apresentam com orgulho em cada palco que pisam.

A apresentação no Largo Tereza Batista

Com figurinos que remetem à identidade baiana e ritmos que misturam samba, reggae, axé e manifestações populares, o grupo encantou o público presente no Pelourinho. O evento, realizado dentro da programação cultural do Centro Histórico, reuniu moradores, turistas e apreciadores da cultura baiana em um espaço que é patrimônio da humanidade.

Ao som dos tambores e das vozes que ecoavam do palco, o bordão de Mestre Alfredo ganhou ainda mais força: “E por que não um Itapuãzeiro?” não é apenas uma frase é um convite, é orgulho, é reconhecimento. E naquele palco, a resposta estava clara: sim, existem os Itapuãzeiros, e eles estão aqui.

A apresentação representou muito mais do que um show: foi um diálogo entre territórios de Itapuã ao Pelourinho, da orla ao Centro Histórico mostrando que a cultura baiana é plural, diversa e se alimenta das suas raízes espalhadas por todos os cantos de Salvador. O Largo Tereza Batista, que constantemente recebe manifestações artísticas e culturais da cidade, foi palco de um momento especial: a cultura que nasce nas comunidades sendo levada para o coração da cidade, levada pelo povo e para o povo.

A força da cultura que vem de dentro

O que torna a trajetória dos Itapuãzeiros tão especial é o fato de eles serem protagonistas da sua própria história. Não vieram de fora para falar sobre Itapuã eles são Itapuã. E tudo começou com a visão de um mestre, de um percussionista que acreditou no seu povo e lançou a pergunta que virou grito. Em um cenário onde muitas vezes a cultura periférica é invisibilizada ou reduzida a estereótipos, iniciativas como a dos Itapuãzeiros mostram que a favela, o bairro, a comunidade não são apenas cenários são produtores de cultura, de arte e de identidade. Eles provam que o talento, a arte e a tradição vivem em cada canto da nossa cidade e merecem ser vistos, ouvidos e celebrados.

Sobre o Largo Tereza Batista

Localizado no coração do Pelourinho, o Largo Tereza Batista é um dos principais espaços de cultura e convívio do Centro Histórico de Salvador. Constantemente palco de shows, festas e manifestações artísticas, o espaço representa a vitalidade da cultura baiana e a importância de manter vivos os espaços públicos como locais de encontro, arte e expressão popular exatamente como fazem os Itapuãzeiros nas ruas e praças do seu Itapuã.

 
A Voz do Povo

E você, já ouviu o bordão de Mestre Alfredo? “E por que não um Itapuãzeiro?” essa pergunta também faz parte da sua vida? Deixe sua opinião nos comentários valorizar a arte que nasce no nosso chão, nas mãos dos nossos mestres e no coração do nosso povo, é também uma forma de honrar a Bahia!

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