Senador e ex-governador da Bahia aparece em novos documentos relacionados ao Banco Master; investigação cita negociação de imóvel de R$ 2,45 milhões, presentes de luxo e relação com ex-sócio da instituição
Por Portal Voz Ativa News
O caso envolvendo o Banco Master ganhou novos capítulos nesta sexta-feira (11), após a divulgação de novos documentos relacionados às investigações da Polícia Federal. Entre os nomes que voltaram ao centro das atenções está o do senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-governador da Bahia e candidato à reeleição ao Senado nas eleições de 2026.
Os novos documentos, que tiveram o sigilo parcialmente retirado por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentam informações sobre a relação entre Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
APARTAMENTO DE R$ 2,45 MILHÕES
Um dos principais pontos revelados pela investigação diz respeito à negociação de um apartamento de alto padrão em Salvador, avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões.
Segundo relatório da Polícia Federal, em novembro de 2024, Jaques Wagner teria encaminhado a Augusto Lima o contato de um gerente da construtora responsável pelo empreendimento, além de informações relacionadas ao imóvel.
A PF também identificou conversas entre pessoas ligadas ao Banco Master nas quais teria sido utilizada uma espécie de linguagem codificada para tratar de informações relacionadas ao apartamento.
O senador, entretanto, já havia explicado publicamente a negociação. Segundo Wagner, a intenção era ajudar a filha na aquisição do imóvel. A versão apresentada pelo parlamentar é de que Augusto Lima compraria inicialmente o apartamento e, posteriormente, Wagner faria a recompra, utilizando recursos provenientes da venda de outro imóvel e/ou financiamento.
Portanto, a existência da negociação é admitida pelo próprio senador. O ponto que permanece sob investigação é se houve algum tipo de vantagem indevida ou relação entre a negociação e eventuais interesses do Banco Master.
VINHOS E “LEMBRANÇAS” DE FINAL DE ANO
Outro elemento que aparece nos documentos divulgados pela PF envolve o envio de vinhos considerados de alto valor.
De acordo com os relatórios, Augusto Lima teria enviado garrafas avaliadas entre aproximadamente R$ 2,5 mil e R$ 5,3 mil para Jaques Wagner e Guilherme Sodré, apontado como pessoa próxima ao senador.
Documentos também mostram listas de pessoas que receberiam “lembranças de final de ano”. Entre os nomes aparecem políticos de diferentes grupos, incluindo Jaques Wagner, Rui Costa, Jerônimo Rodrigues, Bruno Reis e ACM Neto.
A presença de um nome na lista, por si só, não significa que tenha havido irregularidade ou recebimento de vantagem ilegal. Essa distinção é importante porque os documentos fazem parte de uma investigação ainda em andamento.
RELAÇÃO COM O EX-SÓCIO DO MASTER
A Polícia Federal vem investigando há meses a relação entre Jaques Wagner e Augusto Lima.
Relatórios anteriores já haviam apontado uma intensa comunicação entre os dois. Segundo documentos divulgados anteriormente, foram identificadas dezenas de ligações entre o senador e o empresário.
A investigação procura esclarecer se relações pessoais, empresariais e políticas mantidas ao longo dos anos tiveram alguma ligação com interesses do Banco Master.
O senador nega ter atuado para favorecer irregularmente a instituição financeira.
